Com a filosofia de que o amor é universal e pode se manifestar em qualquer lugar, o Candomblé talvez seja a Religião mais acolhedora para os homossexuais. Dentro de suas crenças nada impede que dois homens, duas mulheres, um homem e uma travesti (e assim por diante) se unam perante a benção dos orixás. O Mix Brasil conversou com um babalorixá (sacerdote do candomblé) para saber melhor como funciona a união matrimonial dentro de uma religião que, como os GLBTs, ainda sofre muito preconceito por causa da falta de informação de quem a critica ou menospreza.Em primeiro lugar é bom esclarecer que Candomblé não é macumba, não é só para negros, não faz trabalhos de magia negra contra ninguém e muito menos deseja algum tipo de mal. É apenas uma manifestação religiosa de povos africanos com símbolos diferentes (apenas mais exóticos) dos encontrados na cultura religiosa cristã. A Igreja Católica tem seus santos, o Candomblé seus orixás, diferenças que devem ser respeitadas.Para celebrar a união do casal, o Candomblé leva em conta que esse encontro é, em primeiro lugar, de almas e sentimentos, e não de sexos. Por isso, é muito comum a realização de casamentos homossexuais. “Somos uma religião de amor, de aconchego, não importa se são dois homens ou duas mulheres”, defende o babalorixá do Ilê Dará Axé Oxum Eyin, Pai Cido de Oxum Eyn. Há 35 anos dentro da crença, o baiano diz que todos são iguais e o que importa é que as pessoas se amem, acima de tudo. A cerimônia costuma ser realizada nos terreiros, mas também podem chegar a qualquer outro lugar que os noivos (as) queiram. O babalorixá prepara um texto a ser lido durante o rito conforme as personalidades de cada casal. “É uma benção, o sacerdote encaminha os dois para continuarem seguindo as crenças do Candomblé, mas agora juntos”. Na presença de padrinhos, eles são vestidos de branco (símbolo de alegria e luto) e abençoados pelo sacerdote com uma folha chamada na língua iorubá de teteregun molhada com água, representando a força da natureza.Os outros detalhes são bem parecidos com os casamentos de outras crenças: há a troca de alianças para simbolizar a união do casal e um advogado pode elaborar um contrato de união estável a ser assinado na cerimônia. Depois, é só comemorar.Pai Cido atribui a grande freqüência de homossexuais no Candomblé à liberdade que eles encontram para expressar sua crença sem sofrer preconceito. “Algumas Religiões excomungam, falam que é pecado, doença. O Candomblé é amor, vê os sentimentos das pessoas antes de tudo”. A convivência com os poucos heterossexuais candomblistas é pacífica e deixa de lado diferenças de orientações sexuais para alcançar os mesmos objetivos, a expressão da fé e o equilíbrio espiritual.Ilê Dará Axé Oxum Eyin: Rua José Domingues de Pontes, 7 – Jardim Miramar – São Paulo
23 de abril de 2008
No Candomblé, é normal a celebração de casamentos entre homossexuais
Com a filosofia de que o amor é universal e pode se manifestar em qualquer lugar, o Candomblé talvez seja a Religião mais acolhedora para os homossexuais. Dentro de suas crenças nada impede que dois homens, duas mulheres, um homem e uma travesti (e assim por diante) se unam perante a benção dos orixás. O Mix Brasil conversou com um babalorixá (sacerdote do candomblé) para saber melhor como funciona a união matrimonial dentro de uma religião que, como os GLBTs, ainda sofre muito preconceito por causa da falta de informação de quem a critica ou menospreza.Em primeiro lugar é bom esclarecer que Candomblé não é macumba, não é só para negros, não faz trabalhos de magia negra contra ninguém e muito menos deseja algum tipo de mal. É apenas uma manifestação religiosa de povos africanos com símbolos diferentes (apenas mais exóticos) dos encontrados na cultura religiosa cristã. A Igreja Católica tem seus santos, o Candomblé seus orixás, diferenças que devem ser respeitadas.Para celebrar a união do casal, o Candomblé leva em conta que esse encontro é, em primeiro lugar, de almas e sentimentos, e não de sexos. Por isso, é muito comum a realização de casamentos homossexuais. “Somos uma religião de amor, de aconchego, não importa se são dois homens ou duas mulheres”, defende o babalorixá do Ilê Dará Axé Oxum Eyin, Pai Cido de Oxum Eyn. Há 35 anos dentro da crença, o baiano diz que todos são iguais e o que importa é que as pessoas se amem, acima de tudo. A cerimônia costuma ser realizada nos terreiros, mas também podem chegar a qualquer outro lugar que os noivos (as) queiram. O babalorixá prepara um texto a ser lido durante o rito conforme as personalidades de cada casal. “É uma benção, o sacerdote encaminha os dois para continuarem seguindo as crenças do Candomblé, mas agora juntos”. Na presença de padrinhos, eles são vestidos de branco (símbolo de alegria e luto) e abençoados pelo sacerdote com uma folha chamada na língua iorubá de teteregun molhada com água, representando a força da natureza.Os outros detalhes são bem parecidos com os casamentos de outras crenças: há a troca de alianças para simbolizar a união do casal e um advogado pode elaborar um contrato de união estável a ser assinado na cerimônia. Depois, é só comemorar.Pai Cido atribui a grande freqüência de homossexuais no Candomblé à liberdade que eles encontram para expressar sua crença sem sofrer preconceito. “Algumas Religiões excomungam, falam que é pecado, doença. O Candomblé é amor, vê os sentimentos das pessoas antes de tudo”. A convivência com os poucos heterossexuais candomblistas é pacífica e deixa de lado diferenças de orientações sexuais para alcançar os mesmos objetivos, a expressão da fé e o equilíbrio espiritual.Ilê Dará Axé Oxum Eyin: Rua José Domingues de Pontes, 7 – Jardim Miramar – São Paulo
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